TÉCNICA DE IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO AUMENTA PRODUTIVIDADE DE CULTURAS
DE CANA E LARANJA

Renato Sartório Ramos

Como parte da programação do curso de Inovações Tecnológicas na Agricultura , promovido pela Faculdade de Engenharia da UNESP, campus de Ilha Solteira , durante o segundo semestre deste ano, foi dedicado um espaço para debater a irrigação das culturas da cana-de-açúcar e de citros, com a participação dos engenheiros agrônomos Jaime Fonseca (IRRIGAPLAN)) e Marcelo Akira Suzuki (IRRIGATERRA).
As mais de cem pessoas presentes no auditório da Câmara Municipal de Ilha Solteira puderam conhecer e discutir com os especialistas as mais modernas técnicas e equipamentos utilizados para irrigação destas culturas. Irrigação subterrânea, qualidade da água, detalhes de projeto e montagem, sistemas de filtragem, automação, entre outros temas, foram debatidos pelos palestrantes. Inicialmente, o engenheiro Jaime Fonseca fez um comparativo entre a produção de cana sem irrigação e com o uso da irrigação por gotejamento. "Na média de cinco anos de produção, a cana irrigada produziu cerca de 30 toneladas a mais por hectare", afirmou Fonseca. Para o engenheiro, os benefícios adicionais do uso da irrigação por gotejamento de sub-superfície em cana residem principalmente na possibilidade de aplicar água e nutrientes diretamente na zona radicular. "Além disso, há a possibilidade de se fazer tratos culturais, inclusive plantios, a qualquer momento. Não há perda por deriva causada pelos ventos, e sim um menor ataque de roedores e vandalismo e aumento de produtividade", explicou.
Questionado se os custos de implantação não seriam elevados, Jaime Fonseca esclareceu ainda que, sob condições de irrigação por gotejamento, a reforma do canavial passa a ser feita de 8 a 10 anos, em vez de quatro a cinco. "Isso traz um grande benefício econômico ao produtor", disse. Em sua exposição, o engenheiro Marcelo Akira Suzuki discutiu as vantagens em se fazer a irrigação localizada na cultura de citros (laranja e limão), especialmente neste momento atual, onde o porta-enxerto utilizado não está sendo mais o limão cravo, tendo o produtor que lançar mão de outras variedades mais suscetíveis a falta de água, o que a torna dependente da irrigação.

Benefícios
Entre os benefícios apontados por Akira Suzuki sobre a irrigação localizada na cultura do citros está o aumento da produtividade e da qualidade da fruta, maior pegamento das flores e redução da queda dos frutos chumbinho e maior uniformidade da maturação, trazendo redução nos custos de colheita.
"O controle rigoroso da quantidade de água aplicada, o menor consumo de energia e a possibilidade de aplicar fertilizantes junto com a irrigação, a automação, além da melhor eficiência da irrigação, tem sido fundamentais para a aceitação da irrigação localizada pelos citricultores", comentou Suzuki. Para ele, na região noroeste do Estado de São Paulo, estes benefícios se acentuam quando comparados com outras regiões. "Isso porque temos as maiores taxas de evapotranspiração do Estado e chuvas irregulares, fazendo com que tenhamos historicamente até oito meses por ano de déficit hídrico", apontou. Evapotranspiração é o consumo de água pelas plantas pelos processos de evaporação da superfície do solo e transpiração das folhas.
Assunto bastante discutido e fonte de dúvidas entre os produtores está a escolha do emissor a ser utilizado: microaspersor ou gotejador, linha simples ou linha dupla de gotejamento. Estes aspectos e outros critérios de projeto foram amplamente discutidos durante a palestra, sendo abordados quais os fatores que são levados em conta para a decisão final.

Segundo Akira Suzuki, não há um emissor melhor ou pior e sim aquele que se adapta melhor às condições de solo, clima e qualidade da água do local onde foi implantado o pomar. "A análise conjunta destes fatores definirá não somente o emissor, mas também a qualidade do projeto a ser implantado", complementa.
 
 

Mais informações:
Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP - Ilha Solteira Avenida Brasil Centro, 56 - Caixa Postal 34 CEP 15385-000 Telefone: (18) 3743-1180 - Fax: (18) 3743-1143



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