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CLIMA: CONHECÊ-LO PARA QUÊ?

Por Fernando Braz Tangerino Hernandez*
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Recentemente fomos convidados para ministrar a palestra “Tecnologias aplicadas à gestão ambiental” durante a Semana do Meio Ambiente e tivemos muita satisfação em conversar com estudantes e profissionais e mostrar a parte do trabalho da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira ligado ao monitoramento ambiental no noroeste paulista.

Iniciamos reconhecendo que vivemos numa sociedade em mudança, em uma sociedade espantosamente dinâmica, instável e evolutiva e que correrá sérios riscos quem ficar esperando para ver o que acontece e ainda que a adaptação a essa realidade será, cada vez mais, uma questão de sobrevivência. Na verdade, ao mesmo tempo em que dávamos nossa visão, procuramos estimular nossos alunos e convidamos os que já estão no mercado de trabalho a tentar se reinventar e não temer o novo e as novas tecnologias.

Temos a convicção de que num mundo como este, a única certeza estável é a certeza de que tudo vai mudar e que os caminhos que nos trouxeram até aqui, não são do mesmo tipo e espécie dos que nos poderão conduzir daqui para a frente.

Utilizamos como exemplo a diferença entre desastres naturais e catástrofes ambientais, cada vez mais freqüentes, sendo que um desastre natural é uma catástrofe que ocorre quando um evento físico perigoso provoca direta ou indiretamente danos extensos à propriedade, faz um grande número de vítimas, ou ambas. Em áreas onde não há nenhum interesse humano, os fenômenos naturais não resultam em desastres naturais.

Assim, conhecer as variáveis climáticas é cada vez mais importante em todas as áreas do conhecimento e muitos ainda não perceberam isso. Monitorar o clima e a água (vazão e qualidade) permite antecipar processos, realizar projetos mais adequados às diferentes situações e/ou explicar fenômenos.

Fenômenos climáticos adversos, para mais e para menos afetam diretamente todas as pessoas, assim, como exemplos, a falta de chuva pode derrubar a produtividade das culturas ou inviabilizar o plantio e o excesso de água dificultar a colheita e assim o esforço, a energia e os recursos utilizados para garantir as elevadas produtividades podem ser minimizados pela dificuldade em realizar a colheita, como aconteceu com a soja em nossa região este ano. Também a moda inverno, está mais cara pelo fato de que a produção de algodão foi afetada em várias regiões produtoras, ao mesmo tempo que o oeste da Bahia está rindo a toa, porque lá o clima ajudou e se colhe a mais alta produtividade da história.

Assim, num mundo globalizado, com as informações chegando em segundos à qualquer parte do mundo e em uma sociedade em desenvolvimento exige rompimento, mudança e novidade em linguagem, conceitos e modos e acreditamos que a informação é e será o grande e único “produto” daqui para a frente e estamos nos preparando para isso.

A UNESP Ilha Solteira monitora a qualidade das águas e a vazão de importantes bacias hidrográficas da região e está implantando a Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista, que já desperta a atenção de muitos profissionais, inclusive do exterior, cada vez mais interessados em informações climáticas medidas sistemáticamente.

No Portal do Clima da UNESP Ilha Solteira (http://clima.feis.unesp.br) qualquer Internauta pode saber como o tempo está variando com atualização a cada cinco minutos e gráficos atualizados a cada hora das principais variáveis climáticas do noroeste paulista, incluindo a evapotranspiração, que é a perda de água para a atmosfera na forma de evaporação do solo e transpiração das plantas e que deve ser reposta ao solo por chuva ou irrigação, e assim, ao estimá-la, pode aumentar a eficiência do uso da água, cada vez mais escassa.

Assim, a UNESP Ilha Solteira já disponibiliza gratuitamente informações à sociedade, contribuindo com dados e informações para que possamos fazer do clima e da água nosso aliado na modernização e entendimento das mudanças no meio ambiente do noroeste paulista.

(*) Fernando Braz Tangerino Hernandez, é Engenheiro Agrônomo e Professor Titular da UNESP Ilha Solteira, Área de Hidráulica e Irrigação (www.agr.feis.unesp.br/irrigacao.php). Coordena a implantação da Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista (clima.feis.unesp.br)

Revista ÓIA, Ilha SOlteira, III, Edição 5, 2011, p.60-61.

 
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