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Uso indevido pode anular benefícios
do futuro Canal de Jales
Se os produtores da região de Jales não se conscientizarem
de que a água é um produto esgotável e que não deve ser usado de forma abusiva, os
benefícios previstos pelo Canal de irrigação poderão ser anulados. O canal é
importante para uma região carente de água como a de Jales. Mas, para que sua implantação
sirva de alavanca para o desenvolvimento da fruticultura regional, é preciso que os produtores façam
corretamente sua parte usando na irrigação apenas a quantidade de água exigida pela planta
e não o dobro, como está acontecendo.
Estas foram as principais conclusões a que chegaram técnicos do Centro Tecnológico de Hidráulica
do DAEE, que, atendendo pedido da central de Associações do Município de Urânia - CAMU
- fizeram um levantamento da situação hídrica da região.
O estudo foi apresentado aos produtores durante o encontro realizado dia 1 de maio, pelo engenheiro Paulo Augusto
Romera, quando destacou que situação é crítica nos córregos do Jataí
e Comprido, que estão operando no limite da capacidade.
Segundo, ele o fato mas grave é que os produtores ainda não se conscientizaram que uso excessivo
de água nas plantas, entre outros males, representa queda acentuada nos lucros finais.
Se está situação for contornada, lembrou o engenheiro, o maior benefício do canal de
irrigação- ou seja, atender cerca de 20 mil hectares de terra- deixará de existir.
"Claro que o produtor está usando na cultura o dobro de água necessária, a área
que o canal projeta beneficiar caíra pela metade. Será que seria viável construir um canal
para irrigar apenas 10mil hectares?", perguntou.
Levantamento revela que reserva dos Córregos
Jataí e Comprido operam no limite da capacidade
Os viticultores do córregos do Jataí e Comprido
estão abusando da pouca água disponível nos locais e usando quase o dobro do necessário
nas parreiras para irrigar a uva. Isso além de os prejudicar, também acaba diminuindo- lhes o lucro
final. Esta foi a conclusão principal a que chegaram técnicos do Centro Tecnológico de Hidráulica
do Departamento de Águas e Energia Elétrica- DAEE- após encerrarem o levantamento encomendado
pela CAMU- Central das Associações do Município de Urânia.
Os dados finais foram apresentados aos integrantes da associação no dia 1 de Maio. Cerca de 150 produtores
compareceram à Câmara Municipal para tomar conhecimentos dos resultados.
Segundo o presidente da CAMU, Pedro Sérgio Podsclan, esse levantamento foi solicitado ao Comitê da
Bacia Hidrográfica Turvo / Rio Grande em 1997, justamente porque a associação de produtores
estava preocupada com o uso indiscriminado da água em irrigação naqueles dois bairros. Só
que resultados apresentados no dia 1 de maio, surpreenderam. "A gente sabia que a situação não
era boa, mas não esperávamos que estivesse tão crítica. A área irrigada no Jataí,
por exemplo, já está no limite da exploração, ou seja, se não houver monitoramento,
racionalização do uso da água naquele local, não há como expandir a área
irrigada", disse. O engenheiro Paulo Augusto Romera foi o responsável pela apresentação
dos dados finais aos irrigantes.
Ele explicou que o trabalho mostrou números preocupantes e, principalmente, mostrou que o consumo já
ultrapassou a vazão mínima dos córregos e que não há mais nenhuma garantia quanto
ao fornecimento de água para continuar a produção. "O córrego Comprido ainda tem
alguma reserva. Mas, o córrego do Jataí está operando no limite", explicou.
Mas, segundo o técnico, o mais grave de tudo é outro fato: o consumo praticado pêlos irrigantes
é o dobro do que seria tecnologicamente adequado às plantas.
"No Jataí, por exemplo, o consumo corresponde a 4,3 litros de água para cada metro de área
irrigada, quando que o adequado para a uva seria apenas 2,2 litros. Ou seja, o produtor está colocando quase
100% de água a mais do que o necessário", enfatizou Romera.
Segundo ele, esse excesso representa um grande prejuízo final, que talvez o viticultor nem tenha consciência
de que está existindo.
"Os técnicos elaboram uma lista com pelo menos 12 problemas que o excesso de água causa. Por
exemplo, jogar água mais do que se precisa, representa maior custo com energia elétrica, já
que a bomba fica ligada mais tempo; água demais na planta facilita a proliferação de fungos
e isso faz com que o produtor precise gastar mais com fungicida, a água em excesso, que o solo não
consegue absorver, leva embora os nutrientes da terra e isso significa maior gasto com adubos para recompor os
nutrientes que foram carregados. Isso, só para citar alguns", explicou o engenheiro.
No córrego Comprido, segundo ele, a situação é semelhante. "Lá, por incrível
que pareça, o consumo por planta é ainda maior" destacou.
O levantamento incluiu a visita a 450 propriedades dos dois córregos, com coletas de dados em 313 delas,
que possuem irrigação e foi realizado entre dezembro de 1998 e fevereiro 1999.
Componentes Básicos
Em certo instante de sua palestra, Romera disse que consumo
de água no Jataí e no Comprido pode ser comparado ao consumo registrado numa grande região
produtora de uva, como São Roque.
Isso causou espanto aos presentes e o engenheiro explicou que, quando se fala em irrigação, há
que se levar em conta três componentes básicos: o solo, a planta e o clima.
Segundo ele, não são todas as plantas que se dão bem em todos os climas.
"Isso, todos nós sabemos, nem precisa ser técnico. Minha avó, por exemplo, vivia querendo
cultivar hortências em Piracicaba e ficava brava porque a planta não florescia do jeito que ela queria.
Mas, não ia florescer mesmo, hortência gosta de clima frio e em Piracicaba o clima é quente.
Esse tipo de coisa serve para qualquer planta, inclusive para uva", exemplificou o técnico.
Segundo explicou, em relação à uva existem aquelas variedades que se dão bem numa região
como esta com pouca chuva, pouca água e clima extremamente quente e seco. Ao contrário, também
existem aquelas variedades que vão melhor em regiões onde existe bastante água, bastante chuva
e clima úmido
"Agora, vamos esquecer a planta e pensar só na questão do solo e do clima. Os estudos que fizemos
mostram que, para suplementar a irrigação numa região como esta, é necessário
colocar 113 milímetros de água por ano em média, para que planta produza adequadamente bem.
Numa região como a de São Roque, apenas 14mm são o suficientes para suprir o déficit
hídrico. Por aí, você vê a diferença", enfatizou.
Canal de irrigação
Tendo em vistas estas conclusões, Romera disse que
o projeto do canal de irrigação para a região de Jales, é extremamente útil,
porque vai representar uma entrada de água para região que de forma alguma, jamais existiria por
rios.
"Não existe aqui na região, nenhum rio que tenha vazão de 8,9 metros cúbicos por
segundo, como o canal deve ter, facilitando a expansão da área irrigada e uma condição
melhor de clima", disse.
Mas, ele lembrou que o maior benefício da obra -irrigação de cerca de 20 mil hectares- pode
ser anulado se o viticultor não se conscientizar e diminuir o consumo excessivo de água.
"O canal está projetado em cima de uma área irrigada projetada de 20 mil hectares, levando em
conta, naturalmente, o consumo de água adequado às frutas. Mas, na medida que o produtor pratica
esse consumo em dobro do adequado, claro que a área que o canal tornará possível irrigar será
a metade do que hoje projeta. Se as pessoas que praticam a irrigação na região continuarem
usando água de forma errada, a viabilidade do canal estará comprometida. Eu pergunto: será
que o canal de irrigação é viável se permitir a irrigação de apenas 10
mil hectares de área"?, enfatizou.
Preocupação
Depois de acompanhar atentamente a exposição
do engenheiro Paulo Romera, o prefeito de Urânia, Augusto Vitorelli Garcia manifestou sua preocupação
diante de todos os dados divulgados. "Esse levantamento foi muito importante para todos, porque serve de alerta
aos agricultores irrigantes, que a partir de agora devem ter mais consciência na hora de usar a água.
Tem gente usando água demais e gente que poderá ficar sem ela em breve", disse.
Outra constatação do prefeito refere-se ao canal da irrigação. Ele, que é presidente
do Cindagri o consórcio de municípios que está viabilizando a obra, disse que o levantamento
deixou muito claro que a construção é indispensável para esta região.
"No começo dizia-se que a obra não era necessária,
que era coisa de político. Agora, todos estão vendo que a coisa não é bem assim. Esta
região é árida e, sem o canal, penso que dentro de uns cinco anos já estaremos sentindo
a falta de água", disse.
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O Engenheiro Paulo Romera e o Presidente da
CAMU, Pedro Sérgio Podsclan apresentam as conclusões do levantamento.
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Romeira alerta: "o Jataí está
no limite".
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