JORNALISTAS INCORPORAM
INTERNET AO DIA-A-DIA


A Internet se tornou a segunda fonte de informação mais importante para os jornalistas nos Estados Unidos. Ë o que conclui o quarto estudo Middleberg/Ross, que acaba de ser publicado na Web(www.mediasouce.com/intro.htm).
Segundo essa pesquisa, os jornalistas procuram primeiro falar pessoalmente com a fonte. Se não estiver disponível, o segundo recurso é a Web. Os jornalistas também recorrem à Web para obter informações sobre empresas fora do horário comercial.
Os dados mais procurados são informações financeiras, fotos e releases, nesta ordem. Mais surpreendente é que cerca de 9% afirmaram que a Internet é sua primeira fonte de idéias para reportagem.
Quase metade dos jornalistas entrevistados afirmou usar a rede todos os dias .Entre profissionais que trabalham em jornais diários, este número sobe para mais da metade. Disseram que os locais onde trabalham usam serviços online com frequência 93%.
Dois anos atrás, a Web era pouco mais que um modismo para a maioria desses profissionais, que a consideravam só uma fábrica de rumores. As queixas mais comuns eram a desorganização e a pouca confiabilidade das informações. Há algumas semanas porém, ela desempenhou um papel fundamental numa das grandes histórias do ano.
Primeira mão
O caso Clinton/Monica Lewinsky foi noticiado em primeira mão na Internet por Matt Drudge, um colunista online (
www.drudgereport.com), que tem um site na Web e um serviço de informações na América Online.
Drudge, que estava totalmente desacreditado devido a um processo de difamação que enfrenta, movido por um funcionário da Casa Branca teve seu momento de vingança
Informou num de seus despachos, no dia 17 de janeiro, que Lewinsk havia declarado ter tido um caso com Clinton e que a revista "Newsweek" tinha a informação e havia decidido não publicá-la.O furo do jornal "The Washington Post" só aconteceu três dias depois. A reportagem do "Post" pouco acrescentava à história contada por Drudge.
Os relatos Matt Drudge, que chegou a incluir uma cópia do currículo de Monica Lewinsky num de seus despachos, não tiveram nenhuma repercussão junto ao grande público, mas com certeza alertaram muitos jornalistas para a história. O Drudge Report foi inclusive desmentido por porta-vozes da Casa Branca - e portanto, também lido. 

Maria Ercilia - Folha de São Paulo, 25/02/98, p. 4.3