A NOVA POLÍTICA

TECNOLÓGICA


Uma das regras fundamentais, dentro das modernas concepções de políticas de desenvolvimento, é a articulação de elementos já existentes na economia, uma espécie de coordenação não hierárquica, permitindo juntar forças e experiências, para resultados mais amplos do que os resultados individuais de cada parte.
Tomem-se os seguintes ingredientes e se avaliem as possibilidades que se abrem se houver uma boa receita:
Financiamento à Pesquisa
Nos últimos anos, houve substancial alteração nas politicas de financiamento à pesquisa,liderada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A tendênciaé cada vez mais o financiamento da pesquisa aplicada, com contrapartida do setor privado.
Jovens Pesquisadores
O projeto Genoma, financiado pela Fapesp, está operando uma revolução entre os jovenspesquisadores. O projeto visando o mapeamento genético do amarelinho da laranja foi montado utilizando diversos laboratórios do Estado, em locais diferentes, mas integrados pela Internet.
Ao mesmo tempo, o projeto estimulou a formação de grupos interdisciplinares de cientistas . A nova geração de pesquisadores está entrando no mercado agastada com falta de objetividade do meio acadêmico e empenhada em montar em montar seus próprios projetos.
Empresa nacional
A abertura da economia está obrigando as empresas nacionais a investir em tecnologia. Em geral, não se recomenda fechar projetos com universidades ou departamentos, mas compesquisadores. Para tanto há a necessidade de que essas empresas disponham de consultores com conhecimento de tecnologia e de mercado, capazes de identificar quaispesquisas podem prosperar e quais os pesquisadores aptos a tocá-las.
Gerenciamento de empresas
O foco principal de atuação do Sebrae é dar retaguarda gerencial a pequenas empresas.
Especialmente em São Paulo há alguns anos o Sebrae passou a atuar dentro do universo de empresas com potencial tecnológico.
Fundos de investimento
Nos últimos anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a ampliar o foco de sua atuação, ajudando a organizar fundos de investimento e empresas emergentes com potencial tecnológico. Há experiências iniciais bem sucedidas em Santa Catarina. Montou-se um fundo com participação do BNDES, Previ, Bovespa e fundos estaduais. O fundo analisa empresas, faz aporte de capitais e ajuda a orientar estratégicamenteas empresas.
Receita do bolo

Dados os ingredientes, o que pode sair desse bolo?

Passo1 – A Fapesp credencia um grupo de consultores que possa fazer o meio campo entre as empresas e os pesquisadores. Serão os batedores, identificando necessidades das empresas e pesquisadores que podem atender a demanda.
Passo2 – Na outra ponta, a Fapesp, em conjunto com o Sebrae, estimula a formação de pequenas empresas de conteúdo tecnológico, entre os próprios pesquisadores selecionados por ela. Caberá ao Sebrae os cursos de capacitação gerencial para novas empresas
Passo3 – A Fapesp sempre financiou pesquisadores, não as instituições, embora os equipamentos financiados acabassem ficando com os respectivos epartamentos dospesquisadores. Ela poderia avançar e criar dois novos tipos de financiamento. O primeiro para ONGs, que, a exemplo do Laboratório Assíncrono, de Campinas, seriam prestadoras de serviços para equipes de pesquisadores. E o segundo para os próprios grupos de pesquisadores que se organizassem empresarialmente.
Passo4 – O passo seguinte será o apoio às empresas mais promissoras por meio de aportes de capital desses fundos de investimento em empresas de conteúdo tecnológico.
 
 

Esses elementos, mais elaborados, poderão servir de base para uma política concreta de desenvolvimento tecnológico do Estado.

Luís Nassif, Folha de São Paulo sexta-feira 24 de setembro de 1999, p.2.3.