![]() |
|
CEAGESP DIVULGA LEVANTAMENTO SOBRE UVA DE JALES EM SÃO PAULO |
![]() |
|
|
| Conclusões
foram apresentadas em reunião com produtores
A região de Jales é, sem dúvida, a que tem maior potencial para fruticultura no Estado de São Paulo e tem tudo para dar certo. Mas, precisa trabalhar melhor a relação de confiança com o consumidor final. Ou seja, o consumidor precisa ter certeza absoluta de que, ao comprar uva de Jales, estará comprando produto bom, não importa se a baga seja pequena ou grande. Essa é apenas uma das conclusões a que chegaram a chefe do Programa de Ofertas de Produtos Diferenciados da Ceagesp Anita Gutierrez e o agrônomo Gabriel Bittencourt, ao apresentarem o resultado de criterioso acompanhamento da entrada da fruta da região em São Paulo. As conclusões do levantamento foram passadas a produtores da Cooperativa Jales na Quarta-feira, 3 de fevereiro de 99, durante encontro realizado na CATI Regional de Jales, pelos dois profissionais. Anita explicou que o acompanhamento da uva no Ceagesp, não teve o objetivo principal de levantar problemas, mas sim de avaliar na prática o potencial de competição que a uva da região tem no mercado. "Toda vez que a Cooperativa mandava uva para São Paulo, nos passava um faz avisando quem mandou, quanto, de qual variedade. Isso, a partir de agosto do ano passado. Quando recebíamos a comunicação, uma pessoa da nossa equipe ia até a Ceagesp, verificava o comportamento do mercado e elaborava um relatório, cujas conclusões estamos apresentando agora", explicou. Anita disse que saltou aos olhos que mais da metade da uva da região está muito abaixo dos 14 graus, índice de doçura. "Precisava que tivesse no mínimo 14 graus para que se pudesse considerá-la doce. E a gente percebeu, também depois de pesquisa entre os consumidores, que uma das maiores reclamações quanto ao produto "uva", é a doçura", observou. De sua parte, Gabriel contou que um outro problema detectado foi uma certa variação de qualidade. "Uma parte tem qualidade tão boa, que não perde nada para as uvas nordestinas e estrangeiras. Mas, outra parte não tem nenhuma qualidade", enfatizou. Cores Segundo o Agrônomo, observou-se também que as uvas de cores, como a rubi e a benitaka, têm uma excelente coloração, desde que produzidas entre junho e setembro. "Essa observação nos leva a perceber que seria muito mais interessante que o pessoal da fruticultura adiantasse a poda das parreiras para produzir as uvas de cores mais cedo do que produzem, ou seja, no começo da safra e não no final e produzir as sem cores, como a itália, quando o mercado está com o preço melhor do que a rubi", disse. Gabriel destacou que a qualidade da uva de Jales diminui muito conforme se aproxima o final do ano. "São poucos os produtores que conseguem manter a mesma qualidade no início e no fianal da safra", observou. Outra conclusão citada pelo agrônomo, é quanto ao tamanho das bagas, item muito valorizado pelo produtor, mas nem de longe o mais valorizado pelo consumidor fianl, que, segundo disse, valoriza muito mais o doce da fruta. Embalagem No tocante às embalagens da fruta, Gabriel destacou que, por serem padronizadas, não interferem muito no resultado final. Ainda assim, disse que dá para diferenciar os produtores que atingiram grau de confiança maior para o varejista que vai buscar o produto na Ceagesp. "Não é a embalagem que faz a diferença nesse caso, mas os cachos mais ou menos homogêneos dentro delas. Produtores que se destacam, têm a vantagem de conseguir preços maiores em dias de super ofertas. Porque a comercialização é muito simples: o varejista chega na Ceagesp e grita para o comprador: "me guarda 30 ou 40 caixas desse produtor". É assim, simples", relatou. Isso, segundo ele, chama-se nível de confiança: o varejista já assimilou que aquele produtor que ele citou, tem produto bom, que dispensa análise. Sob esse ponto de vista, o agrônomo voltou e enfatizar que a apresentação não pesa muito. E referiu-se ao caso do viticultor josé Aparecido Lopes, que começou a apresentar suas uvas em sacolinhas, copiando um sistema americano. "Foi bem recebido no mercado, sem dúvida. Mas, para continuar a fazer isso, a qualidade tem que ser muito boa, senão o consumidor não vai pegar confiança nesse tipo de embalagem", destacou. Unidade de compra Falando sobre a relação de confiança entre o consumidor e o produtor, que conforme afirmaram, falta para a uva de Jales, Anita explicou que a tendência do mercado é Ter uma unidade de compra, com peso aproximado ao que o consumidor médio leva e que seja facilmente identificada por ele. É preciso, segundo Anita, que exista uma forte relação de confiança entre aquele que produz e aquele que consome, relação esta que só passará a existir a partir de uma fruta com garantia de qualidade, tanto na classificação e homogeneidade do produto, quanto de doçura, condição de lavoura, garantia de que o produto não leva agrotóxicos danosos, etc. "É como quando você compra uma Coca-Cola. Você está comprando o quê? A garantia de que o gosto será sempre o mesmo. Isso acontece com a uva também: quando você compra você espera que ela seja doce e agradável ao paladar", exemplificou. Mas, no balanço geral, Gabriel e Anita acham que o potencial da região é indiscutível e que é possível produzir aqui uvas melhores que as do Nordeste, principalmente sob a ótica da coloração. "Se melhorar essa relação de confiança com o consumidor final, a região tem tudo para dar certo", concluíram. |
|
Jornal de Jales, 07/02/99. Página 14 |
|
|