A acidez é o maior fator de degradação
dos solos em áreas extensivas nas zonas tropicais e temperadas. Os solos ácidos ocupam cerca de 3,95
bilhões/ha (aproximadamente 30%) dos solos mundiais, exceto as regiões polares (von Uexkull &
Mutert, 1995 citados por BALIGAR & FAGERIA, 1997).
Os primeiros estudos sobre a natureza, causas e manejo de
solos ácidos foi descrito por Hans Jenny em 1961, citado por ADAMS (1984). De maneira geral, a formação
dos solos ácidos é o resultado da combinação de muitos fatores, com grande importância
para as condições climáticas, em termos de alta temperatura e intensidade de chuvas. Estas
condições favorecem a rápida decomposição da rocha com a lixiviação
de bases trocáveis e a conseqüente intemperização do solo e formação da
acidez. Em função disso, a maioria dos solos tropicais apresentam níveis de acidez elevado.
A eficiência na aquisição, transporte e utilização de nutrientes pelas plantas
desenvolvendo no solo é controlado pela:
(i) capacidade do solo em suprir os nutrientes;
(ii) capacidade das plantas para absorver, utilizar, e remover os nutrientes.
Esses fatores variam com solos, tipo de genótipo/cultivares de várias espécies, bem como as
condições climáticas. Sendo, que estes envolvem um sincronismo no sistema solo-planta-raiz
(BALIGAR & FAGERIA, 1997).
A associação das características dos solos ácidos e da nutrição da planta
é complexa e envolve o conhecimento de muitas áreas de pesquisa. Em resumo, as maiores limitações
dos solos ácidos podem ser agrupados em quatro modos:
(i) alto teores de H+ e Al3+ ativos na solução do solo;
(ii) baixa capacidade de troca cationica;
(iii) alta capacidade da fase solida em absorver ânion, especialmente o ion fosfato;
(iv) baixa atividade orgânica e biológica na fração do solo.
A eficiência do uso de nutrientes nestes solos será sempre dependente da parcial ou completa solução
destas limitações, envolvendo ambiente e manejo de solo e planta (GOEDERT et al.,1997).
Isto é importante para entender que o monitoramento destas propriedades do solo precisam ser constantes,
em função de que forças naturais, principalmente as condições climáticas
trabalham na direção de restaurar a condição original de acidez do solo. Segundo ADAMS
(1984) o pH dos solos da área de cultivo de trigo no Nordeste do Pacífico tem aumentado, em média,
uma unidade nos últimos vinte anos.
As práticas da calagem , adubação e gessagem são responsáveis, atualmente, por
grande parte dos ganhos de produção da agricultura brasileira. Por outro lado, o uso de fertilizantes
e corretivos agrícolas representa, naturalmente, um acréscimo no custo de produção
da s culturas. A chave para o uso eficiente destes insumos está, pois, em fazer com que se obtenha a maior
relação benefício/custo possível, em decorrência da utilização
dos fertilizantes e corretivos na agricultura (LOPES & GUIMARÃES GUILHERME, 1995).
Certamente, além do aspecto econômico, há que se considerar também os aspectos sociais
e ambientais envolvidos neste processo, visto que os mesmos são de vital importância para a harmonia
e sustentação do sistema como um todo. Vale relembrar, neste contexto, que aumentar a produção
agrícola via aumento de produtividade pelo uso racional de insumos significa evitar a necessidade de abertura
de novas áreas(LOPES & GUILHERME, 1992).
O objetivo deste trabalho é revisar os conhecimentos sobre o manejo de solos ácidos sob o ponto de
vista de maximizar a eficiência no uso de nutrientes e, portanto, otimizar a produtividade das culturas.
2.Caracterização da acidez
As características químicas do solo estão relacionadas com a natureza dos minerais do solo
e a disponibilidade de nutrientes presentes no solo, subsídio esse fundamental para a recomendação
da dose de adubação, assim como as transformações a que os nutrientes adicionados ao
solo estarão sujeitos. O pH, que é um índice que indica o grau de acidez do solo, é
de extrema importância, pois determina a disponibilidade dos nutrientes contidos no solo ou a ele adicionados
e também assimilação dos nutrientes pelas plantas. Considerando-se que a maioria dos solos
brasileiros apresentam acidez média a alta, a sua correção, ou seja, a calagem é um
fator decisivo na eficiência das adubações (ALCARDE et al., 1991).
A maior parte dos nutrientes (K, Ca, Mg, N, S, B e P) estão menos disponíveis em valores baixos de
pH e alguns, como Fe, Cu, Mn e Zn mostram comportamento inverso.
A primeira propriedade que afeta o equilíbrio solo/planta é o nível de H+
(atividade) na solução do solo, o qual é alto nos solos ácidos. Esta situação
é refletida pelo baixo valor do pH (usualmente entre 4,5 e 5,5) e pela alta porcentagem de saturação
de alumínio no complexo de troca, causando um decréscimo na disponibilidade de nutrientes, prejudicial
para o crescimento e desenvolvimento do sistema radicular.
A segunda propriedade afetada pela condição de acidez é a capacidade de troca catiônica
(CTC) a qual é responsável pelo equilíbrio de íons na interface sólido-líquido.
A magnitude da CTC de um solo resulta da natureza dos colóides minerais e orgânicos e do pH do solo.
A fração argila dos oxissolos e ultissolos é usualmente dominada por gibsita, caulinita e
óxidos de ferro e alumínio. Estes componentes tem baixa quantidade de cargas negativas e portanto,
a maioria (85-95%) da CTC destes solos dependem da matéria orgânica, e também é dependente
do pH na solução do solo.
Em solos tropicais ácidos, a matéria orgânica desempenha um importante papel na disponibilidade
de nutrientes, pois a maior parte da CTC destes solos é devido aos colóides orgânicos. Além
disso, sua CTC é fortemente dependente de pH. Adicionalmente, a absorção de nutrientes pelas
plantas é associada a atividade de organismos no solo como (rizobium e micorriza) a qual mostra baixa atividade
sob alta acidez do solo.
O elevado grau de saturação de alumínio e/ou deficiência de cálcio não
se restringe somente à camada arável, mas, em alguns solos, também ocorre em profundidade.
Com isso, o sistema radicular das plantas desenvolve-se pouco, restringindo-se à região em que foram
adicionados o corretivo e o adubo, limitando a absorção de água e de nutrientes das camadas
abaixo da camada arável.
Como o alumínio, o manganês pode também apresentar quantidades tóxicas em condições
de alta acidez do solo (pH < 5,0), provocando decréscimo na produtividade das culturas. Costa et al (1977)
observaram uma pseudovirose em algodoeiro, em solo com pH de 4,6 à 4,9 induzida por toxidez de manganês.
Em Latossolo Roxo distrófico, cultivado com soja, Quaggio et al (1982) observaram que o manganês fora
parcialmente responsável por reduções de produtividades. O pH influência a atividade
biológica de microrganismos livres ou que vivem em simbiose com leguminosas, como também a oxidação
da matéria orgânica por microrganismos hetetróficos. Em condição de alta acidez,
a atividade biológica é reduzida, sendo a intensidade de influência bastante variável
(SOUSA et al., 1985).
Segundo PAVAN & BINGHAM (1981) a toxidez do manganês é um dos principais fatores que prejudicam
o crescimento das plantas, ocorrendo comumente em conjunto com aquela causada pelo alumínio nos solos ácidos,
bem como, o excesso deste micronutriente geralmente afeta mais severamente a parte aérea do que as raízes
e aparentemente, as plantas absorvem e transportam esse nutriente em excessivas quantidades, o que resulta acúmulo
nas folhas, produzindo-se sintomas bem definidos. VELOSO et al. (1995) estudando a toxidez de manganês em
pimenta-do-reino em solução nutritiva, verificaram que o excesso de manganês reduziu o desenvolvimento
das plantas e a absorção de P, K, Ca, Mg, Cu, Fe e Zn sendo que os teores de manganês aumentaram
consideravelmente nas folhas desta cultura.
3.Manejo do solo
A eficiência no uso de nutrientes é fortemente dependente das práticas realizadas no solo,
especialmente aquelas que apontam para:
(i) decréscimo ou neutralização da acidez do solo;
(ii) aumento na CTC e decréscimo da capacidade de absorção dos ânions;
(iii) diminuição das perdas de nutrientes, principalmente por lixiviação e volatilização;
(iv) monitorar e manejar a fração orgânica e atividade biológica (GOEDERT et al., 1997).
A principal solução para encontrar esses objetivos tem sido a aplicação e incorporação
de calcário nos solos ácidos e segundo CAMARGO et al. (1997) a calagem é essencial na agricultura
moderna para aumentar a produtividade das culturas e a eficiência dos adubos alterando, normalmente, atributos
químicos do solo.
Os principais fatores a serem considerados na prática de correção são:
(i) a quantidade de corretivo necessário para diminuir a porcentagem de saturação de alumínio
ou aumento da saturação de bases para um nível satisfatório para as culturas crescerem;
(ii) a qualidade do corretivo em termos de CaCO3 + MgCO3 e o tamanho das partículas de calcário;
(iii) método de aplicação.
Os calcários dolomíticos tem sido preferidos em relação aos calcíticos devido
a presença do MgO do primeiro que mantém a relação Ca:Mg no solo mais próxima
ao valor ideal (6,5:1 segundo Bear & Toth (1948) citados por OLIVEIRA, 1993) para o desenvolvimento das culturas.
Recentemente, MOREIRA et al., (1999) encontrou a melhor eficiência na nodulação da alfafa quando
esta relação esteve próxima de 4:1. Já OLIVEIRA (1993) observou que relações
variáveis de Ca/Mg de 1 a 12 não interferiram no rendimento de matéria seca de milho em solos
com disponibilidade de Ca e Mg trocáveis superiores, respectivamente, a 2,32 e 0,4 meq/100 cm3.
Segundo CARVALHO & MEURER (1980) avaliando a aplicação de calcário a lanço e em
linhas para o cultivo de soja observaram que a aplicação a lanço proporcionou maior incremento
na produção de soja quando aplicado no sulco e concluíram que em solos ácidos, a aplicação
localizada do calcário corrige apenas um pequeno volume de solo, restringindo o desenvolvimento do sistema
radicular das culturas. A aplicação do calcário em sulco somente se justifica para o suprimento
imediato de cálcio e magnésio, entretanto, se o solo apresentar uma elevada acidez os acréscimos
serão limitados pela aplicação do corretivo no sulco de plantio (GOEDERT,1985).
VARGAS & DEMATTÊ (1995) avaliando o efeito do calcário aplicado em profundidade no solo e na cultura
da cana-de-açúcar concluíram que, a nível de subsolo, houve um incremento de valores
de pH, teores de Ca e Mg e conseqüente aumento da saturação de bases (V%), sendo mais evidente
nas parcelas onde o cálcario foi incorporado em maior profundidade resultando em acréscimos na produção
de cana-de-açúcar.
CAMARGO et al. (1997) estudando as alterações de atributos químicos do horizonte superficial
de um latossolo e um podzólio com a calagem concluíram que, a calagem aumentou o pH, a soma de bases,
a CTCe, e o teor de fósforo extraível, diminui o teor de alumínio, a CTA e não alterou
a adsorção de fósforo bem como o teor de micronutrientes.
Em adição as mudanças no pH e saturação de alumínio, o calcário
aumentará a CTC diminuindo a capacidade de absorção do ânion aumentando a atividade
biológica e a mineralização dos componentes orgânicos, a floculação dos
colóides do solo e consequentemente o uso da água e nutrientes pelas plantas. Como um resultado destas
mudanças o calcário induz um aumento na produtividade na maioria das culturas. SILVA et al. (1994)
estudando o efeito da calagem na mineralização do nitrogênio em solos de Minas Gerais concluíram
que, a mineralização do nitrogênio foi influenciada pela calagem, que promoveu maior disponibilidade
de N mineral no solo e a maior intensidade do processo de nitrificação se deu com a correção
da acidez do solo, refletida pela maior relação nitrato/amônio obtida.
A acidez do subsolo limitará o aprofundamento das raízes e embora a absorção da água
e nutrientes das camadas subsuperficiais. A incorporação profunda do calcário tem provocado
benefícios para as culturas, porém este processo é difícil e caro. Recentemente pesquisas
tem sido feitas para estudar os efeitos da aplicação do gesso (CaSO4), sendo que esta prática
mostra o efeito positivo na produtividade das culturas, que se dá principalmente pelo aumento no desenvolvimento
do sistema radicular, e com isso, as plantas exploram um maior volume de solo. SILVA et al. (1997) estudando o
efeito do calcário e do gesso nas características químicas do solo e na cultura do algodão,
observaram que o efeito inicial da calagem sobre a acidez permaneceu restrito à superfície do solo,
enquanto o da gessagem se aprofundou até a camada de 20-40 cm, sobretudo quando associada a maior dose de
calcário e a lixiviação de nutrientes devida ao gesso foi proporcionalmente maior na dose
mais baixa de calcário.
Em adição ao calcário, as práticas de preparo do solo, incorporação de
restos de culturas e manutenção da manutenção da matéria orgânica, tem
sido recomendadas para os produtores em ordem de aumentar a eficiência dos nutrientes usados pela cultura
em solos ácidos. SIDIRAS & PAVAN (1985) avaliando a influência do sistema de manejo do solo no
seu nível de fertilidade verificaram que o sistema de plantio direto proporcionou aumento no pH do solo
e nos teores de Ca, Mg, K e Co e diminuição na saturação de alumínio, resultando,
consequentemente, em um ambiente químico favorável ao desenvolvimento radicular e os níves
mais elevados de fertilidade do sistema estiveram associados com o retorno dos resíduos das plantas à
superfície do solo, os quais contribuíram também para aliviar os problemas relacionados com
a acidez.
4. Manejo de plantas
O crescimento de diferentes espécies de plantas em solos ácidos depende de ganhos relativos com tolerância
aos níveis de alumínio e manganês, bem como, o seu requerimento a cálcio e magnésio
e a sua capacidade de absorver nutrientes em condições adversas de solo. Tem sido encontrado que
as diferenças substancial existente entre e dentro as espécies de culturas em relação
a sua tolerância dos fatores acidez do solo. Uma revisão do assunto foi realizada por Foy (1974) citado
por GOEDERT et al. (1997) refere-se o seguinte:
(i) diferenças morfológicas na raiz - algumas variedades tolerantes ao alumínio conservam
ou guardam seu desenvolvimento da raiz e não são lesadas no sistema radicular;
(ii) mudanças no pH na rizosfera da raiz. Algumas variedades tolerantes ao alumínio aumentam o pH
no crescimento médio, ao passo que a sensibilidade diminui;
(iii) translocação baixa do alumínio no topo da planta. Várias espécies tolerantes
e variedades acumulam alumínio na raiz, translocam para a parte aérea numa menor taxa do que as variedades
sensíveis;
(iv) alumínio no sistema radicular não inibe a absorção de cálcio , magnésio
e potássio nas variedades tolerantes, ao passo que isto ocorre nas sensíveis;
(v) altos teores de silício na planta esta associado com a tolerância do alumínio em certas
variedades de arroz.
O efeito primário da toxidez de alumínio manifesta-se, geralmente, bloqueando o crescimento radicular,
possivelmente, por afetar o alongamento e a divisão celular. É comumente aceito que o alumínio
afeta a divisão celular por aumentar a estabilidade da dupla hélice, dificultado portanto, a replicação
do DNA na interfase e alongamento celular por reduzir a plasticidade e a elasticidade da parede celular (FERREIRA
et al., 1986).
A associação de melhores manejo de solos com genótipos tolerantes através de uma pesquisa
multidiciplinar tem enfocado ser possível aumentar a produtividade em cada ambiente. Segundo FERREIRA et
al. (1986) analisando a tolerância de cultivares de arroz ao alumínio, concluíram que as cultivares
de arroz diferem quanto à sensibilidade à toxidez de alumínio e resposta à aplicação
de calcário e ao se recomendar calagem para a cultura do arroz deve-se levar em conta não apenas
a acidez do solo, mas também a cultivar a ser utilizada.
Estas conclusões reforçam a necessidade de pesquisas integradas, especialmente entre as áreas
de manejo do solo, fisiologia da planta e uma planta modificada, para aumentar o uso eficiente de nutrientes em
solos ácidos. A maioria das pesquisas feitas com tolerância ao alumínio no Brasil, são
relatadas para variedades seletas das culturas de grãos (milho, soja, arroz, feijão e trigo) para
tolerância ao alumínio, desde que a maioria dos solos exibem alta pecentagem de alumínio em
todo o perfil. A maioria das pesquisas foram relatadas por Silva (1976), Sanches (1976) e Salinas (1978). Pesquisas
na região dos Cerrados confirmou a existência de diferenças substanciais entre espécies
de culturas e variedades para tolerância ao alumínio e a baixo níveis de disponibilidade de
fósforo (GOEDERT et al., 1997).
ABICHEQUER et al. (1995) estudando a eficiência de absorção e utilização de fósforo
por variedades de trigo submetidas à toxidez de alumínio, concluíram que as variedades estudadas
apresentaram diferente eficiência de utilização de fósforo (matéria seca total
produzida por unidade de fósforo absorvido) e a variedade Toropi utilizou mais eficientemente o nutriente
no nível baixo de fósforo ou sob toxidez de alumínio.
Outro importante aspecto ao manejo das plantas para aumentar a eficiência no uso de nutrientes é o
desenvolvimento de associação positiva do sistema radicular com organismos de solo como fungo micorrizico
e nitrogênio do fixado por espécies de bactérias. Uma quantidade significativa tem sido realizada
no cerrado com o objetivo de obter melhores associações.
5. Manejo de fertilizantes
Os solos tropicais ácidos são pobres em nutrientes e, a maioria da produção das culturas
é depende na adição de fertilizantes para o sistema solo/planta e a disponibilidade de nutrientes
bem como a assimilação destes pelas plantas são diretamente influenciados pelo pH.
A principal preocupação no manejo de fertilizantes buscando sua máxima eficiência é
a criação de melhores condições para melhorar a disponibilidade de nutrientes para
as plantas no momento certo e evitar perdas, por lixiviação e volatização. Daí
vem o alerta "adubar o solo sem a corrigir a acidez é desperdiçar fertilizante" Diversos
trabalhos ilustram os benefícios da correção do solo com a adição de fertilizantes,
entre estes, MALAVOLTA (1985) e YAMADA & BORKERT (1991).
Um grande número de tecnologia tem sido desenvolvido pelas pesquisas no campo industrial e agronômico,
que apontam para um aumento na eficiência dos nutrientes aplicados através da fertilização.
Embora grandes diferenças são observadas entre os nutrientes, os principais fatores a serem considerados
com relação a acidez do solo são:
(i) a natureza da fonte dos fertilizantes (composição, solubilidade e tamanho de grânulos,
grau de acidificação );
(ii) a dose, época e modo de aplicação.
5.1 Nitrogênio
A maioria dos adubos nitrogenados acidificam o solo, principalmente os de formulações amoniacais.
A principal preocupação com relação a eficiência na adubação nitrogenada
é relatada para a minimização das perdas pela volatilização da amônia
(N-NH3) resultante da decomposição do N fertilizante e lixiviação dos íons
nitrato (N-NO2) os quais são retidos fracamente pela fase sólida do solo. As quantidade de N-NO3
no perfil, susceptíveis à perda, são muito variáveis no espaço e no tempo dependendo
da quantidade de N aplicado, do tipo de adubo, da taxa de mineralização-N-nativo, da remoção
pelas colheitas, do tipo de cultura e do volume de água drenada, fatores estes, afetados significativamente
pelas propriedades do solo (CTC, pH, textura, estrutura, M.O., relação C/N, etc.) e pelo clima (precipitação,
principalmente) (Nielsen et al., 1973 citado por CABALLERO et al., 1986).
A combinação destes fatores pode diferir entre as culturas, mas em termos gerais a recomendação
de dose precisa ser dividida (parcelada) em aplicações visando nutrir a planta no momento crítico
de seu desenvolvimento. A maioria das dosagens recomendada são em cobertura e, quando possível, levemente
incorporado no solo para minimizar as perdas por volatilização.
Nos experimentos de adubação nitrogenada, em geral, a preocupação maior tem sido estudar
o efeito de doses, deixando-se em segundo plano a influência que o parcelamento e o sistema de aplicação
do nitrogênio exercem sobre seu aproveitamento pela cultura. Essa influência se torna ainda maior quando
se emprega a uréia, devido ao comportamento singular desse fertilizante no solo, notadamente no que se refere
às transformações químicas, aos efeitos sobre o pH e as perdas por lixiviação
e volatilização (MELLO et al., 1988).
Em um experimento avaliando a aplicação de uréia em cobertura e via foliar na cultura do algodoeiro
SABINO et al. (1994) concluíram que eficiência da uréia via foliar diminui gradativamente com
o aumento da cobertura e doses crescentes de uréia, aplicado em cobertura, concorreram para aumentar os
teores de N-total das folhas.
MELLO et al. (1988) estudando o efeito de doses e modos de aplicação da uréia na produção
de milho em diversos tipos de solos concluíram que, a uréia aumentou o teor de N total da folha até
a dose de 60 kg/ha de N, mas os modos de aplicar o fertilizante não alteraram os resultados desta análise,
possivelmente que em condições de campo, as perdas de amônia não são tão
elevadas quanto as que se tem medida em laboratório e casa de vegetação, dessa forma, não
sendo suficientes para provocar decréscimo significativo de produção.
CABALLERO et al. (1986) avaliando a lixiviação do nitrogênio proveniente do solo e do fertilizante
(15 NH4)2SO4 durante o ciclo de uma cultura de feijão verificam que a concentrção
média de N - total e de N - proveniente do fertilizante diminuíram marcadamente com a profundidade
do solo, sendo que no limite inferior do perfil (105/135cm) a concentração de N - total (15 ppm)
e do N proveniente do fertilizante (0,048 ppm), foram muito baixas e durante o ciclo da cultura, sob as condições
de mínima drenagem, apenas 3 g/ha de N - total e 3, 04 mg/ha de N - fertilizante foram lixiviados abaixo
dos 120 cm de profundidade.
Finalmente, é importante relembrar que quase, se não todo o N de algumas culturas, especialmente
as leguminosas, é originado da fixação biológica, a qual aumenta a importância
da seleção de estirpes de rizóbio e técnicas de inoculação (GOEDERT et
al., 1997).
5.2 Fósforo
A eficiência desta prática é intimamente associada com o grau da solubilidade da fonte visando
a minimização da absorção do íon fosfato pelo alumínio e componente de
ferro, que são abundantes em solos ácidos.
Como mostrado em literatura, a calagem do solo ácido cria melhores condições para a eficiência
da adubação fosfatada, principalmente devido a diminuição da capacidade do solo em
absorver ou fixar os íons fosfatos, como exemplo, MALAVOLTA (1985) mostra o efeito positivo da calagem no
crescimento das raízes da soja pela redução na fixação, aumento do suprimento
de Ca e eliminação do alumínio tóxico, consequentemente, aumentando a eficiência
da adubação fosfatada, pois 100 kg de P205 por hectare, em presença de calcário aumentou a produção
muito mais que 300 kg sem correção prévia da acidez.
As respostas das culturas as adubação fosfatada tem sido variável em função
do teor inicial deste nutriente no solo, ou seja, quanto menor o teor deste nutriente no solo maiores serão
as respostas obtidas com a adubação. SOUZA et al. (1998) avaliando as respostas do milho à
adubação com fósforo e zinco concluíram que a adição de fósforo
aumentou significativamente a produção de grãos de milho, sendo que efeito foi mais expressivo
na presença de zinco.
O modo de aplicação dos adubos fosfatados no solo, bem como a sua granulometria e solubilidade em
água são os principais fatores que influenciam na facilidade da fixação do fosfato
bem como a sua disponibilidade para as plantas. A possibilidade do emprego dos fosfatos naturais ou semi-industrializados
a custo de produção mais baixo é há muito enfatizada como alternativa viável
para o suprimento da necessidade de fósforo dos solos brasileiros.
SILVA et al. (1995) verificaram o efeito do superfosfato triplo e de três granulometrias de termofosfato
magnesiano na produção e qualidade do sorgo sacarino e concluíram que para o sorgo sacarino
é indiferente se a fonte de fósforo utilizada é um fosfato acidulado, como o superfosfato
triplo ou, é de origem térmica, como o termofosfato magnesiano, quando se visa a produção
de matéria seca e qualidade nutritiva de sua composição mineral com vistas à nutrição
animal os mesmos observaram que não há diferenças quanto as três granulometrias de termofosfato
magnesiano (acabado, semiacabado e grosso). Já COUTINHO et al. (1991) avaliando a eficiência agronômica
de fertilizantes fosfatados para a cultura do milho verificaram que a adubação fosfatada promoveu
aumentos significativos na produção de grãos de milho e nos teores de fósforo no solo
e nas folhas; a eficiência do fosfato de Gafsa granulado melhorou, acentuadamente, quando se considerou o
efeito residual no segundo ano; o fosfato natural de Patos de Minas foi ineficiente no fornecimento de P às
plantas de milho.
ROSSI et al. (1995) estudando o efeito da calagem e fontes de fósforo em latossolo variação
una sobre o crescimento e nutrição do braquiarão concluíram que houve interação
entre fontes, doses de P e calcário para os parâmetros estudados, ou seja, para o cultivo do braquiarão,
o nível de calagem C1 (elevação de Vpara 50 %) deve ser utilizado para fontes solúveis
como o Superfosfato triplo, e C1/2(metade da dose recomendada) para fontes de baixa solubilidade como o fosfato
de Araxá. Finalmente a eficiência de fósforo fertilizante esta associada com práticas
que aumentam a capacidade da raiz em interceptar nutrientes tais como fosfato que é fortemente em difusão
pelas raízes. Pesquisas tem mostrado, por exemplo, que a associação entre as raízes
e fungos micorrizicos, traz benefícios para a nutrição das plantas.
5.3 Potássio
O manejo da adubação potassica em solos ácidos é relativamente mais simples do que
as adubações com nitrogênio e fósforo, entretanto, também há preocupação
com perdas por lixiviação. Devido a baixa CTC os ions de potássio podem lixiviados, com risco
de perdas, por outro lado, com ganhos na profundidade do sistema radicular da planta.
É importante que se possa conhecer o teor de K no solo, para que se saber quando será preciso fazer
uma nova aplicação. Adicionar mais do que a cultura necessita pode resultar em perdas por lixiviação
ou quedas de produção, quando os outros nutrientes não estão em seus níveis
ótimos.
Se os níveis de magnésio ou cálcio são baixos, uma adubação excessiva
de potássio pode reduzir a produção. Quando um solo é deficiente em enxofre, a substituição
do cloreto por sulfato de potássio é recomendada. Isto se faz, não só porque o sulfato
pode fornecer enxofre, mas também porque altas doses de cloreto pode agravar a deficiência de enxofre
(RICHEY, 1982).
O aumento na eficiência do fertilizante pode ser conseguido com a adoção do Sistema de Plantio
Direto, pelo aumento do poder tampão de potássio, tornando o solo menos suscetível a perdas
por lixiviação (Pöttker, 1996), e também pelo cultivo de culturas de inverno ou primavera
com sistema radicular profundo, para que promovam a reciclagem do potássio lixiviado para camadas do solo
mais profundas, não exploradas pelas raízes do milho (MAEDA et al., 1997).
5.4 Cálcio, magnésio e enxofre
A nutrição com cálcio e magnésio não se constitui, geralmente em grande preocupação
nos programas de adubação, tendo em vista que a prática da calagem ainda é a maneira
mais usual de fornecimento destes nutrientes as plantas (LOPES & GUILHERME, 1992). No entanto, deve-se tomar
cuidado principalmente no que se refere a proporção Ca:Mg , sua granulometria e modo de aplicação.
A proporção de Ca:Mg deve situar, de maneira geral em torno de 60 % para cálcio e 10 a 20
% para magnésio (Lopes & Guidolon (1989) citado por LOPES & GUILHERME (1992)). Quanto mais fina
for a granulometria do calcário, mais rápido serão os efeitos quanto à correção
da acidez e quanto ao modo de aplicação deve-se atentar para a esta seja a lanço bem incorporada
na camada de solo de interesse.
A aplicação via sulco e a lanço visando aumentar a disponibilidade de cálcio e magnésio
para as plantas, num primeiro instante será benéfico e a cultura poderá responder a adubação.
No entanto, esta técnica ainda carece de mais estudos para comprovar sua eficácia e rentabilidade.
Quanto ao enxofre, apesar de não se dispor, no Brasil, de informações suficientes para recomendações
de doses de enxofre, com base na análise de solo, aceita-se que aplicações anuais, variando
de 10 a 40 kg desse nutriente por hectare, sejam suficientes para prevenir deficiências (Vitti, 1986 citado
por LOPES & GUILHERME, 1992). Na maioria dos casos os agricutores tem optados por adubos fosfados ou nitrogenados
que contenham esse nutriente em sua formulação, visando a redução de custo da adubação.
Outro ponto importante é a manutenção dos restos culturas e/ou incorporação
de matéria orgânica no solo haja visto que este material contém o enxofre em sua composição.
5.5 Micronutrientes
O uso eficiente de fertilizantes contendo micronutrientes ocupa, atualmente, lugar de destaque na agricultura brasileira,
notadamente nas áreas de expansão da fronteira agrícola como nos cerrados. Entretanto, a eficiência
destes fertilizantes somente pode ser atingida se os seguintes aspectos forem levados em consideração:
(i) fatores que afetam a disponibilidade de micronutrientes, como a calagem e CTC entre outros;
(ii) filosofia de aplicação, de seguro ou prescrição;
(iii) fonte de micronutrientes;
(iv) modo de aplicação e interações com outros nutrientes;
A aplicação de micronutrientes nas culturas, em geral, tem sido benéficas. BUZETTI et al.
(1990) estudando as doses de boro na soja, em diferentes condições de acidez do solo na produção
de matéria seca e grãos, concluíram que, que as doses de boro influenciaram a produção
de matéria seca da parte aérea e a produção de grãos, nos tratamentos que receberam
corretivo e nos que não receberam. JOSÉ CAMPO & LANTMANN (1998) avaliando os efeitos de micronutrientes
na fixação biológica do nitrogênio e produtividade da soja concluíram que, em
solos com cultivo anterior de soja, o Zn, Co e o B não exerceram efeitos sobre os parâmetros avaliados
mas o Mo aumentou a produtividade da soja em dois desses solos (LRe e LEa).
6. Considerações finais
È preciso salientar que ao longo do tempo em função das pesquisas e experiência dos
agricultores muitos progressos foram obtidos quanto a produtividade das culturas sob solos ácidos, além
da expansão da fronteira agrícola brasileira.
Este sucesso se deu, basicamente, em função da integração entre manejo de solo (tipo
de preparo, rotação de culturas, etc), planta (variedades mais adaptadas a acidez), eficiência
nas adubações (fonte, época e modo de aplicação), bem como, aos ganhos relacionados
aos aspectos sócio-econômicos, com geração de empregos diretos e indiretos no campo.
No entanto, com o advento do Sistema de Plantio Direto, revolucionando as técnicas de manejo convencional,
ainda carece de pesquisas no tocante a correção da acidez e adubação do solo.
E por fim, o que as pesquisas objetivam, e tem conseguido é, uma melhor tecnologia de manejo dos nossos
solos tropicais, visando a máxima produtividade das culturas e, consequentemente, as maiores receitas líquidas
para os agricultores. 	
* Trabalho apresentado em abril de
1998 na Disciplina de Problemas de Fertilidade dos Solos da FEIS/UNESP - Ilha Solteira sob responsabilidade do
Prof. Dr . Francisco Maximino Fernandes
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